PRÉMIOS EDIÇÃO
2016 Doenças Neurodegenerativas

Com a sua ajuda vamos financiar a investigação em Doenças Neurodegenerativas.

VALOR 50.000€

PREMIADOS

Claudia Almeida

Claudia Almeida Gomes

CEDOC-NMS|FCM, Lisboa
Prémio Maratona da Saúde/BIOGEN

Estudo do impacto genético na doença de Alzheimer de início tardio

A doença de Alzheimer de início tardio representa a maior parte dos casos de demência na população com mais de 65 anos. Não existe atualmente qualquer forma de tratamento para a doença de Alzheimer em parte porque é desconhecida a causa da forma tardia da doença. A forma familiar e rara é causada por mutações transmitidas de geração em geração que conduzem à produção excessiva de beta-amilóide 42. A acumulação e agregação do tóxico beta-amilóide 42 causa a disfunção das sinapses necessárias à formação de novas memórias. Recentemente, encontraram-se alterações subtis nos genes dos doentes com Alzheimer de início tardio que poderão aumentar o risco de doença. Um dos genes alterados é o que codifica a proteína CD2AP. A equipa de investigadores liderados por C. Almeida descobriu que a diminuição da expressão de CD2AP em células neuronais leva a um aumento da produção de beta-amilóide 42. Graças ao projeto agora financiado a equipa irá investigar o impacto das variantes no gene CD2AP na produção de beta-amilóide 42 e na disfunção das sinapses, esperando determinar se o CD2AP é um fator de risco para a doença e um alvo para desenvolver futuramente uma estratégia terapêutica de prevenção da doença de Alzheimer.

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Rodrigo Cunha

CNC – Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra

Estudo dos derivados da cafeína na inibição da doença de Alzheimer e como base de novos medicamentos

A doença de Alzheimer, caracterizada pela deterioração progressiva da memória, tem uma incidência exponencial com o envelhecimento e representa um custo sócio-económico estimado em vários milhões de euros anuais só em Portugal. Não dispomos nesta altura de nenhum medicamento capaz de travar a doença de Alzheimer, possivelmente porque não conhecemos qual o processo que está na sua base.
Fomos buscar inspiração a estilos de vida associados a uma menor incidência da doença de Alzheimer para identificar novos alvos moleculares capazes de controlar a deterioração da memória. Vários estudos mostraram que o consumo regular de doses moderadas de café diminui a incidência de problemas de memória com a idade assim como o aparecimento da doença de Alzheimer. A utilização de modelos animais permitiu confirmar ser a cafeína a responsável por esta preservação da memória. Estes nossos estudos permitiram também identificar o mecanismo de ação neuroprotetora da cafeína como sendo a inibição de sensores de stress no cérebro – os receptores da adenosina do tipo A2A (A2AR). De modo algo surpreendente, mostramos que a ativação excessiva destes A2AR é suficiente para deteriorar a memória e é estritamente necessária para o aparecimento de um deficiente funcionamento da memória em modelos animais da doença de Alzheimer.
Colocamos assim a hipótese destes A2AR terem um papel central na doença de Alzheimer, sendo o seu funcionamento excessivo um processo crítico na deterioração da memória. Para consolidar esta proposta desenhamos este projeto com três objetivos paralelos:
-em modelos animais, utilizaremos novas sondas para ativar os A2AR de modo controlado no espaço e no tempo para definir onde e quando é crítico o papel dos A2AR. Isto permitirá compreender o modo de ação dos A2AR no controlo da memória, informação crítica para sabermos quando intervir em doentes e antecipar efeitos indesejáveis.
-em doentes de Alzheimer, testaremos se estes possuem algumas modificações (chamados polimorfismos) no gene que codifica os A2AR, de modo a justificar a sua maior susceptibilidade para a deterioração da memória. Esta informação é importante para sabermos se há grupos de risco para o desenvolvimento doença de Alzheimer.
-em amostras de cérebros colhidos em autopsias, tentaremos perceber se estes polimorfismos dos A2AR correspondem a uma diferente localização ou um diferente modo de funcionamentos destes A2AR em regiões do cérebro envolvidas no processamento da memória. Esta informação é crucial para sabermos se temos de planear tratar de maneira diferente doentes com diferentes polimorfismos dos A2AR.
A tentativa de clarificação destas três questões só é possível pela convergência de esforços de quatro equipas de investigadores da Universidade de Coimbra: do grupo de purinas do Centro de Neurociências e Biologia Celular, do grupo da Professora Manuela Grazina do Instituto de Bioquímica da Faculdade de Medicina, da coleção de dados de doentes com doença de Alzheimer da Professora Isabel Santana no Serviço de Neurologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e da colheita de tecido de autopsia pela Doutora Beatriz da Silva no Instituto de Medicina Legal dirigido pelo Professor Francisco Corte Real.
Esperamos que a clarificação destas três questões nos dê a segurança necessária para propor avançar com um ensaio clínico testando a capacidade de derivados da cafeína que inibam de modo seletivos os A2AR possam ser a base de novos medicamentos capazes de travarem a evolução da doença de Alzheimer.

Para saber mais sobre este concurso consulte o link:

http://www.fct.pt/apoios/premios/maratonadasaude/index.phtml.pt

   

JÚRI DO CONCURSO

Albert Compte Institut d’Investigacions Biomèdiques August Pi i Sunyer (IDIBAPS), Barcelona, Espanha
André Fisher German Center for Neurodegenerative Diseases (DZNE), Göttingen, Germany
Anita Bhattacharyy Waisman Center – University of Wisconsin – Madison
Changiz Geula Cognitive Neurology and Alzheimer’s Disease Center, Feinberg School of Medicine, Chicago
Chengxuan Qiu Karolinska instutet – Department of Neurobiology, Care sciences and Society
Cristina Lanni University of Pavia, Department of Drugs Sciences
David I. Finkelstein University of Melbourne
Esther Becker Division of Medical Sciences; University of Oxford
Fabio Di Domenico Sapienza Università di Roma
Frank Baas University of Amsterdam, The Netherlands
Frank Middleton Upstate Medical University
Geert Jan Biessels Department of Neurology, University Medical Center, Utrecht, The Netherlands
George Perry University of Texas at San Antonio
J. Douglas Armstrong Institute for Adaptive and Neural Computation, School of Informatics, University of Edinburgh
Javier Mar Medina Unidad de Investigación AP-OSIs Gipuzkoa
Jenni Kulmala National Institute for Health and Welfare
Jennifer Pocock Department of Neuroinflammation, University College London Institute of Neurology
Jeremy Van Raamsdonk Van Andel Research Institute
Joaquin Jordan Universidad Castilla-La Mancha
José Agúndez Medical School University of Extremadura, Department of Pharmacology, Badajoz, Espanha
Leszek Kaczmarek Nencki Institute, Varsóvia, Polónia
Ludo Van Den Bosch KU Leuven, Bélgica
Manuela Neumann University Hospital of Tubingen and DZNE
Marina Bentivoglio Dept of Neurological-Neuropsychological, Morphological and Motor Sciences (DSNNMM), Fac Med, University of Verona, Italy
Merab Kokaia Experimental Epilapsy, Faculty of medicine, Lund University
Michael G. Stewart Department of Life, Health & Chemical Sciences, Faculty of Science, The Open University, UK
Michaela Deleidi Deutsches Zentrum für Neurodegenerative Erkrankungen (DZNE)
Paramita Chakrabarty Center for Translational Research in Neurodegenerative Disease, University of Florida
Ricardo Martinez Murillo Instituto Cajal, Department of Translational Neuroscience
Roger Barker University of Cambridge, Department of Clinical Neurosciences, UK
Yulan Xiong Department of Anatomy and Physiology, Kansas State University College of Veterinary Medicine